Trabalho parte I
O trabalho consistia em selecionar obras com padrões para análise e reprodução, o que permitiu que eu me aproximasse de um tema que sempre me interessou e, ao mesmo tempo, tive pouco contato: as manifestações gráficas indígenas. O desconhecimento sobre as culturas dos povos indígenas em nosso país soa para mim como uma lacuna curricular, isso porque, segundo a teoria de Darcy Ribeiro em O Povo Brasileiro, a construção da identidade nacional está fundamentada na mistura de raças e culturas, sendo que a miscigenação entre índios, europeus e africanos é uma parte fundamental desta identidade. Portanto, conhecer a cultura brasileira, é também conhecer as matrizes indígenas e africanas.
Vejo como pequena a apresentação dos conteúdos ligados a essas matrizes dentro do processo educacional brasileiro, a despeito da minha própria formação. Lamento isso pelo fato de que não reconhecemos, muitas vezes, referências dentro de nossa cultura: as influências de palavras em nossa língua, a influência no sotaque de algumas regiões, os hábitos herdados como por exemplo banho diário, as lendas, histórias como a do Curupira ou do Saci-Pererê, que povoam a imaginação em nossas infâncias, os objetos, como a rede por exemplo e até os alimentos. Afinal o que seria do Brasil sem a mandioca? Esse alimento nativo e amplamente utilizado das mais diversas formas, que é matéria-prima, por exemplo, da fabricação do polvilho, ingrediente fundamental para a fabricação do pão de queijo. Portanto, não é possível pensar na cultura brasileira excluindo a presença da cultura indígena.
Logo de início já tive algumas dificuldades uma vez que é raro encontrar peças indígenas sem haver a necessidade de deslocamento para reservas, e os ambientes culturais que dispõem de obras, normalmente só obtém algumas peças. Por isso as peças escolhidas como exemplos de padronagem indígena foram as encontradas no centro de artesanato da Ceart na Praça Luíza Távora. As padronagens também são fonte de inspiração para produtos comerciais.
Ao entrar em contato com o livro Grafismo Indígena: estudos de antropologia estética, pude ver exemplos de diversas tribos e seus sistemas de representações. Notei a grande ocorrência de padrões geométricos abstratos, alguns de forma orgânica e outros de forma bem geométrica. Estas formas geométricas me chamaram a atenção, pelo fato de não podermos observá-las diretamente na natureza, e descobri que cada tribo possui seu próprio sistema gráfico que utiliza padrões geométricos, aparentemente abstratos, dispostos em estruturas modulares, mas que possuem significados associados aos elementos da natureza, da cultura e do sobrenatural.
A princípio obra produzida é composta de 16 módulos de proporção quadrada, cada módulo contém o padrão base de composição, a quantidade de módulos posteriormente poderá ser customizada. Cada módulo é composto de conjunto de triângulos retângulos isósceles que para formar o padrão modificam seu tamanho e orientação.
O esquema de cores levou em consideração a paleta tradicional de pinturas corporais indígenas. A pintura na pele é realizada nas diversas partes do corpo, a expressão pictórica serve de proteção e defesa dos efeitos do sol, possui intenção mística, sendo executada em ocasiões especiais como casamentos, enterros ou preparação de caça. Os pigmentos são extraídos da natureza e as cores utilizadas são: o vermelho, extraído das sementes do fruto do urucuzeiro, o negro, extraído da polpa do fruto do jenipapeiro, e o branco, extraído da Tabatinga, argila mole branca.
O código comentado segue abaixo:
float x = 0;
float y = 0;
float d = 100;
int cor = Paleta();
int cor2 = Paleta();
void setup(){
size(400,400);
noLoop();
}
void mouseClicked() { // // ao clique do mouse o padrão é redesenhado
redraw();
}
void Quadrante1(){ // 16 modulos disponiveis, futuramente número customizado
quadro(0,0);
quadro(100,0);
quadro(200,0);
quadro(300,0);
quadro(0,100);
quadro(100,100);
quadro(200,100);
quadro(300,100);
quadro(0,200);
quadro(100,200);
quadro(200,200);
quadro(300,200);
quadro(0,300);
quadro(100,300);
quadro(200,300);
quadro(300,300);
}
void quadro(int x, int y){ // modelos que constituem as 4 orientações do padrão básico
switch((int) random(1,3)){
case 1:
padrao1(x,y);
break;
case 2:
padrao2(x,y);
break;
}
}
void padrao1(int x, int y){ //composição do padrão básico
fill(255);
triangle(x, y, x+d, y, x, y+d);
fill(cor);
triangle(x, y, x+ (0.8*d), y, x, y+(0.8*d));
fill(255);
triangle(x, y, x+ (0.6*d), y, x, y+ (0.6*d));
fill(cor2);
triangle(x, y, x+ (0.4*d), y, x, y+ (0.4*d));
fill(255);
triangle(x, y, x+ (0.2*d), y, x, y+ (0.2*d));
fill(255);
triangle(x+d, y, x, y+d, x+d, y+d);
fill(cor);
triangle(x+d, y+ (0.2*d), x+ (0.2*d), y+d, x+d, y+d);
fill(255);
triangle(x+d, y+ (0.4*d), x+ (0.4*d), y+d, x+d, y+d);
fill(cor2);
triangle(x+d, y+ (0.6*d), x+ (0.6*d), y+d, x+d, y+d);
fill(255);
triangle(x+d, y+ (0.8*d), x+ (0.8*d), y+d, x+d, y+d);
}
void padrao2(int x, int y){
fill(255);
triangle(x+d, y, x+ d, y+d, x, y);
fill(cor);
triangle(x+d, y, x+ (0.2*d), y, x+(d), y+(0.8*d));
fill(255);
triangle(x+d, y, x+ (0.4*d), y, x+(d), y+ (0.6*d));
fill(cor2);
triangle(x+d, y, x+ (0.6*d), y, x+(d), y+ (0.4*d));
fill(255);
triangle(x+d, y, x+ (0.8*d), y, x+d, y+ (0.2*d));
fill(255);
triangle(x, y+d, x, y, x+d, y+d);
fill(cor);
triangle(x, y+d, x, y+(0.2*d), x+(0.8*d), y+d);
fill(255);
triangle(x, y+d, x, y+(0.4*d), x+(0.6*d), y+d);
fill(cor2);
triangle(x, y+d, x, y+(0.6*d), x+(0.4*d), y+d);
fill(255);
triangle(x, y+d, x, y+(0.8*d), x+(0.2*d), y+d);
}
// duas seleçoes de cores para evitar que os padrões fiquem iguais lado a lado
color Paleta(){ //Seleção de cores 1
switch ((int) random(1,3)){
case 1:
return color(0);
case 2:
return color(255, 0, 0);
default:
return(0);
}
}
void draw(){
noStroke();
Quadrante1();
}
Arquivo para download encontra-se disponível aqui.
O trabalho consistia em selecionar obras com padrões para análise e reprodução, o que permitiu que eu me aproximasse de um tema que se...









